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Quase japonês

O padre João Manoel Lima Mira, 53, está no Japão há 13 anos desenvolvendo um trabalho missionário, junto às comunidades de brasileiros e também ensinando português aos alunos da Universidade de Sophia.
Foto: Akira Ueno - Outra alegria do padre Mira é a cerimônia do chá. Ele participa da Dai-Nihon Sado Gakkai há 10 anos. A prática do chá levou-o a várias descobertas quanto a cultura japonesa.
Foto: Akira Ueno - Outra alegria do padre Mira é a cerimônia do chá. Ele participa da Dai-Nihon Sado Gakkai há 10 anos. A prática do chá levou-o a várias descobertas quanto a cultura japonesa.
Desde o começo a sua proposta era de desenvolver um trabalho a longo prazo. Atualmente, além dos brasileiros, os alunos japoneses também buscam aconselhamento com o padre. O fato de que ele entende tanto a língua quanto a cultura japonesa tranqüilizam os alunos que desejam fazer ou estão fazendo intercâmbio no Brasil. Nascido em Pelotas, RS, padre Mira já completou 25 anos como padre e pretende ficar aqui o máximo que puder.

Quando e como surgiu o seu interesse pela cultura japonesa?
Quando eu tinha uns 10 ou 12 anos, comecei a fazer judô. Eu comprei um livro que contava um pouco sobre a parte filosófica do judô. A partir daí, eu não parei mais. O meu pai me deu muitas noções de equilíbrio, embora ele não fosse um praticante de judô.

Como surgiu a oportunidade de vir para cá e como é o seu trabalho como missionário?
Eu manifestei o meu desejo de vir trabalhar no Japão como missionário e cheguei ao Japão em 1988. Eu acredito que o trabalho missionário não é simplesmente chegar aqui com uma cruz ou bíblia debaixo do braço, tentando converter os japoneses. Dizer que caso eles não se convertam eles vão queimar no fogo do inferno é uma falta de respeito com a cultura deles. Acho que ser missionário é muito mais do que isso. Eu procuro ver deus presente dentro da cultura japonesa. Eu sempre quis encontrar o rosto oriental de deus. Eu não vim para o Japão com o objetivo de ensinar um bando de pagãos. Essa idéia já é bastante antiga.

Como foi aceita a sua decisão de vir para o Japão?
No início muitos amigos meus não entenderam muito bem. Eu sempre estive metido com a questão social brasileira e muitos me dissersam para ficar e continuar desenvolvendo o meu trabalho lá. O meu interesse ao vir para cá era também de passar um pouco da cultura brasileira, criando um intercâmbio. O meu trabalho aqui na Universidade de Sophia é um pouco dessa tentativa de passar a nossa cultura. Estou ministrando aulas de História da Cultura Brasileira, Cultura Afro-Brasileira, Business, Comunicação Humana e conversasão. Eu procuro trazer um pouco da minha bagagem e experiência pessoal.
Eu dou aulas para o 2º, 3º e 4º anos. No segundo ano ainda preciso dar as aulas em japonês e português. Já no 3º e 4º anos, as aulas são apenas em português.

Como foi a sua chegada ao Japão?
Para mim, tudo foi muito curioso e tudo me chamava a atenção. A minha convivência com os japoneses sempre foi muito boa. No começo achei bastante difícil aprender o japonês, especialmente porque eu precisava começar do zero. Eu tinha muita vontade de perguntar, de saber das coisas e de participar.

Como foi a sua experiência no Japão?
Para mim, 13 anos de Japão ainda não é nada. É muito pouco. Acho que a experiência vai começar a contar quando eu chegar aos 20 anos. O Japão não é só uma questão de anos de vivência. Eu sempre estive envolvido com a cultura japonesa. Japão é um estilo de vida. Pratiquei muitos anos de karatê e judô. Mais tarde me envolvi também com a cultura chinesa. Sou professor de Taiji e de Shin-i.

Você pretende ficar definitivamente no Japão?
Eu ainda não posso dizer que eu vá passar o resto da minha vida aqui, nem que não vou. Eu sei que quero ficar aqui o máximo que eu puder. O Japão para mim é muito mais uma forma de ser e de pensar. Mesmo que eu tivesse de sair daqui, a ligação continuaria. Acho que não é uma questão física.

Você tinha muito contato com a comunidade japonesa no Brasil?
Embora eu tivesse muito interesse na cultura japensa, minha convivência e contato com a comunidade nikkei no Brasil foi relativamente curta. Comecei a treinar em um dojo na Vila Nova em 1970.

Como vai o seu trabalho junto à comunidade brasileira aqui no Japão?
Meu trabalho missionário está muito ligado à comunidade de Gunma e à paróquia de Kashima, na província de Ibaraki.
Eu acredito que a comunidade de Gunma é a que está melhor organizada em termos de trabalho religioso e apostólico. O pessoal é muito organizado. Tenho notado que as pessoas estão entendendo mais como é gostoso viver no Japão e estão curtindo a sua estada. É claro que existem muitos problemas, principalmente na comunidade brasileira, mas eu tenho notado também que os japoneses estão aprendendo a conviver melhor com os brasileiros. Eu sinto uma compreensão e interesse maior das duas partes. Muitos filhos de brasileiros já estão crescendo aqui, se identificam mais com a cultura japonesa e nem pensam mais em voltar para lá.

A sua experiência pessoal no Japão tem influenciado o seu trabalho?
Eu tenho um grupo em Gunma que se reúne no salão de igreja para praticar Taiji e Ti-kong. Quando possível nos reunimos também para realizar a cerimônia do chá. Nas missas também eu procuro aproveitar para traçar paralelos entre as religiões, aproveitando minha experiência com o shintoismo e o budismo. Na missa de natal, aproveitei para explicar que esse ano é ano do cavolo de água no calendário chinês. É um desperdício viver no Japão e não ter o mínimo de noção do quê acontece aqui e tomar uma postura de que os católicos estão acima de todos os outros. Para mim, o mais importante é que a religião busque despertar o amor sincero aos outros e à natureza, independente da forma que adquira.

Como é o seu contato com os católicos japoneses?
Aqui eu tenho pouco contato com os católicos japoneses. Meu trabalho é voltado para os brasileiros.

Nos conte um pouco sobre a sua experiência com o shintoísmo.
Eu faço parte de uma comunidade religiosa shintoísta, chamada Yamabushi. Eu fui o primiero estrangeiro a ser aceito como membro dessa comunidade. Eu também tenho contato com um grupo de budismo exotérico chamado Shingon Mikyo. As culturas japonesa, chinesa e a africana não conflitam nem um pouco dentro de mim. Uma completa a outra de formas distintas. Eu sou esse conjunto de culturas.


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