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Literatura Japonesa

A Modernização e a Literatura do Japão
Foi no ano de 1868 que a Universidade de Keiou foi fundada. O ano de 1868 é muito importante na história do Japão. Foi o ano em que a Restauração Meiji aconteceu. As mudanças e transformações foram muitas. O Japão saía de um sistema feudal e de castas, com base no xogunato e modo de vida samurai do período Edo. O país começa a adotar um governo central e muitas reformas se sucederam nas diferentes áreas.
Na verdade, depois de um longo período de fechamento para o resto do mundo, o Japão queria mudanças rápidas que o deixassem no mesmo patamar de desenvolvimento que as nações européias mais desenvolvidas da época. Em 1872 foi adotado o calendário solar e no ano seguinte o cristianismo foi permitido no país. O sistema político foi mudando e em 1889 a constituição foi concluída. No ano seguinte, em 1890, é instaurado o Congresso Nacional.
Nessa época o fundador da Universidade de Keiou, Fukuzawa Yukichi, foi figura importante no movimento pela modernização do Japão. A modernização, na verdade uma ocidentalização, era aceita pela maioria das pessoas como prova de desenvolvimento. Deixam de existir as castas fechadas e todos passam a ser iguais. Os homens foram deixando o penteado tradicional, chonmage, para cortá-los a forma ocidental. A carne bovina passa a ser consumida. As estradas de ferro facilitam a locomoção e também a comunicação. Muitos jornais são fundados.
A literatura japonesa também passa a adquirir características modernas nessa época. A partir de 1877, o cenário político de exigência por direitos sociais serve de tema para algumas narrativas, mas isso ainda não pode realmente ser considerado como o início da Modernização da literatura.
Ao mesmo tempo, a Modernização apressada e desenfreada também assustava e revoltava. A partir de 1887 começaram a aparecer movimentos contrários a essa modernização. Foi nessa mesma época de modernização que a literatura clássica, anterior ao período Edo, passou a ser revisitada e revalorizada. O dilema entre a ânsia por modernização e a crítica à rápida absorção dos costumes e valores ocidentais necessária para tanto assolava àqueles que realmente pensavam no futuro do país.
Em 1878 nasce a narrativa moderna que descreve minuciosamente o modo de vida e os sentimentos individuais das pessoas comuns. Futabatei Shimei apresenta Ukigumo. Essa narrativa conta com detalhes a paixão de um rapaz introvertido por uma menina que mora na mesma casa e é considerada a primeira narrativa moderna. Em 1875, Tsubouchi Shoyo escreve um ensaio crítico que defendia e difundia o realismo. Shimei foi influenciado por ele.
Outros três ilustres autores dessa época são Mori Ogai, Natsume Soseki e Nagai Kafu. Todos eles tem em comum uma experiência de vida no Ocidente durante a juventude. A partir daí, passaram a pensar seriamente a respeito do problema da rápida modernização pela qual o Japão passava.
Mori Ogai foi mandado pelo Exército para estudar medicina na Alemanha. Ele passa quatro anos em Berlim e volta ao Japão. Ogai escreve Maihime com base num relacionamento que manteve com uma moça alemã durante sua estada. Em Maihime, o personagem principal se vê obrigado a voltar ao Japão deixando a moça enlouquecida e grávida nas mãos da própria mãe da moça.
Ogai se encontra com o Ocidente e a Modernidade. Mesmo sabendo da necessidade de modernização, Ogai passa a questionar a absorção indistinta de tudo que vem do Ocidente por parte de seu país.
Natsume Soseki foi para Londres pesquisar a Literatura Inglesa dezesseis anos depois de Ogai, em 1900. Primeiramente Soseki se depara com a diferença entre o que ele pensava a respeito da literatura e o que os ingleses pensavam. Então, Soseki se depara com a concepção de vida centrada no “eu”.
Para Soseki, sua estada na Inglaterra foi o encontro com o século vinte. Em suas obras, ele passou a utilizar o termo “século vinte” com um sentido negativo. A sua vivência em Londres se transformou em uma consistente crítica contra a Modernização. Segundo Soseki, a Modernização se deu por causa de pressões externas e não de maneira natural no Japão. Mas Soseki afirma que no final esse era um processo inevitável.
Para Soseki, a Modernização não se tratava simplesmente do que se enxerga a olho nu como sendo a civilização, mas também de um problema interno do ser humano. O egoísmo era encarado por ele como o mal que advém da Modernização.
Nagai Kafu foi com seu próprio dinheiro para os Estados Unidos em 1903 e depois de quatro anos, passou pela França antes de retornar. Kafu morou em Paris por um ano. Antes de partir, Kafu já havia publicado narrativas com marcada influência da literatura francesa naturalista. Depois porém, passou a escrever fortes críticas a Modernização e ao mesmo tempo escreveu obras repletas de amor ao belo que existia no Japão na época anterior a Modernização. Diferente de Ogai e Soseki, Kafu demonstrava a melancolia pelo que já não poderia mais existir, participando da Modernização de uma outra forma.


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