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O sol nascente do Brasil: um balanço da imigração japonesa

Este texto foi extraído do livro Brasil : 500 anos de povoamento /IBGE, 10o capítulo "O sol nascente do Brasil: um balanço da imigração japonesa" de Kaori Kodama.

Para quem quer saber um pouco de imgracao japonesa no Brsil,
uma boa materia escrita pela Kaori Kodama no livro de IBGE 500 anos de povoamento.
Fotos emprestado do livro de IBGE
Fotos emprestado do livro de IBGE
Em 18 de junho de 1908, desembarcaram os primeiros imigrantes japoneses no porto de Santos, trazidos pelo navio Kasato Maru.
Desde então, são muitas histórias: destinos que se selariam numa aventura sem precedentes para aqueles que migraram e também para a sociedade que os adotou.
A emigração de trabalhadores japoneses para outros países teve início na década de 1870, bem antes de sua vinda para o Brasil. O Japão então passava pela Restauração Meiji (1868), o que implicou mudanças econômicas e políticas que inseriram o país no mundo moderno. Este período foi marcado pela queda do xogunato e pela volta do poder às mãos do imperador, por força de uma nova constituição inspirada nas constituições ocidentais modernas.
- Assim, do lado do Japão, a emigração foi um resultado da modernização que marcou uma nova etapa da história japonesa: o país se abriu para o mundo ocidental, celebrou tratados comerciais que, dentre outras coisas, viabilizaram a saída dos trabalhadores japoneses. Nesse período, a política emigratória teve como principal objetivo aliviar as tensões sociais internas advindas da escassez de terras e do endividamento dos trabalhadores rurais, muito em função dos projetos governamentais de modernização.
- Do lado brasileiro, então, a necessidade da mão-de-obra para substituir o trabalho escravo foi o fator primordial pois, desde a Independência, esta substituição já era uma preocupação das classes dirigentes. No entanto, uma política imigratória mais definida só viria a ganhar importância na agenda governamental, com o fim do tráfico de escravos.
O fluxo migratório em direção ao Brasil, entretanto, só se intensificou a partir da primeira década do século XX, justamente quando o governo norte-americano
- destino preferencial dos emigrantes japoneses - vetou a imigração japonesa.
Resistências à imigração japonesa
O que marca a presença do imigrante japonês no Brasil são as reações causadas pelas suas diferenças étnicas, ou seja, físicas e culturais. Estas diferenças eram enfatizadas nos debates sobre a sua entrada no país, argumentando-se que os japoneses constituiam-se como um povo impossível de se integrar à cultura local.
Apesar da preocupação com a escassez de
mão-de-obra, o governo brasileiro não incentivou a imigração de trabalhadores japoneses, senão mais tardiamente. Esta atitude do governo brasileiro condiz com o conjunto de idéias que predominavam no país naquele período:
- Durante todo o século XIX, predominou na sociedade brasileira o ideal de branqueamento da população que era não só visto como possível de ser realizado, como igualmente desejável para que nos tornássemos um país "civilizado".
Por este motivo, nos debates das elites brasileiras sobre a imigração, era forte a resistência à entrada de asiáticos no país, o que explica o decreto de 28/6/1890, em vigor até o início do século XX, restringindo a entrada desses imigrantes.
- Por causa das diferenças físicas e culturais, os trabalhadores japoneses eram vistos como não-assimiláveis, necessitando de vigilância permanente. Esta percepção persiste pelo menos até o Estado Novo, explicando, em parte, a política imigrantista do governo Vargas em relação à comunidade nipo-brasileira.
Assim, no período do Estado Novo ocorreram momentos de tensão nas relações entre a comunidade nipo-brasileira e o poder público.
Nesse período, as desconfianças e os preconceitos em relação aos nikkeis (a comunidade de descendentes de japoneses) podem ser identificados nos discursos oficiais, como aquele proferido pelo ministro da Justiça Francisco Campos, em 1941, defendendo a proibição da entrada de quatrocentos japoneses em São Paulo:
"seu padrão de vida desprezível representa uma concorrência brutal com o trabalhador do país; seu egoísmo, sua má-fé, seu caráter refratário, fazem deles um enorme quisto étnico e cultural localizado na mais rica das regiões do Brasil"
Após o término da Segunda Guerra, o clima de desconfiança em relação aos imigrantes e descendentes ainda perdurou, dentre outras razões, pelo fato de serem estes tomados por "inimigos" do país que habitavam.
Os imigrantes e a desilusão no país de chegada
Na chegada dos primeiros imigrantes japoneses, no instante em que aportou o navio Kasato Maru em Santos, desencadeou-se a sua dolorosa relação com o sentimento de desilusão. Referindo-se a este sentimento, Tomoo Handa conta que o Kasato Maru aportou em Santos, justamente nos dias em que aconteciam as festas juninas, o que levou os imigrantes a imaginarem que os foguetórios vinham em sua homenagem, celebrando a sua vinda.
Para os japoneses, migrar para o Brasil representava a possibilidade de conseguir melhores condições de vida e, no futuro, retornar à terra natal. Este projeto, entretanto, ia se mostrando de difícil realização:
- as próprias companhias de imigração procuravam fixar os imigrantes na terra, afastando deles o projeto de conseguir um montante de renda para voltarem ao Japão. Aos poucos, muitos foram sentindo as dificuldades de retornar e abandonando seus planos originais.
- pouco a pouco começaram a perceber que o Estado japonês não tinha intenções de promover a sua volta. Viram-se, assim, postos diante da necessidade de desbravar outros caminhos para uma ascensão econômica.


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